terça-feira, 23 de julho de 2013

Revelação

Os dedos enferrujados não ajudavam sobre o teclado inerte. Nada saia que pudesse se digno de se manter na tela por mais de 10 segundos. O pouco que era escrito rapidamente era apagado, numa vergonha de si mesmo, como se fosse outra pessoa a censurar instantaneamente a criação tímida.
Ouvia músicas, lia versos, consultava o facebook atrás de uma inspiração, mínima que fosse. Escrevia animado uma idéia que surgia como um relâmpago, mas que ia embora na enxurrada das idiotices.
Fagner cantava o sentimento ilhado na TV. Lembrou que Fernando Sabino se trancada no quarto, isolado de tudo e todos. Ele ali sozinho não conseguia sequer ter uma idéia, quanto mais desenvolver um conto. Quando a gente tenta, de toda maneira...
Levantou-se irritado. Na cozinha,comeu um pedaço de goiabada. Impossível haver algo melhor.
Voltou à sala, escreveu na tela: A goiabada é o ópio dos frustrados.
Publicou no facebook e foi deitar. Feliz com sua revelação.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O seu e o meu choro

Ao deixar meu colo, ontem, você chorou. Um lindo choro de quem não queria deixar o aconchego num dia frio.
Lembrei-me do dia em que chegou. Tão pequenino e frágil. Os pulmõezinhos ainda insuficientes para dar conta de todo o ar que precisava. Também fazia frio e era muito difícil vê-lo tão perto sem poder tocá-lo.
Sua mãe ainda estava longe, recuperando-se da anestesia. Eu ali, fingia ser forte.
Mas quando você foi levado na estufa,  quietinho,  alheio a tudo, chorei. Em silêncio. As lágrimas não desceram, mas chorava por dentro. Foi o pior momento ver você voltar ao elevador e se afastar de mim. Os olhos meus e os de sua mãe também se encheram quando vimos você respirar sem ajuda do oxigênio na incubadora.  Mas era de alegria.
Chorei naquelas noites em que não pude dormir ao seu lado. A distância era o pior dos castigos.
Daqui a pouco vamos comemorar seu primeiro aninho.  E por isso a alegria toma conta de mim quando te vejo chorar. Porque é um choro inocente, de manha. Será assim até o derradeiro choro que irei ouvir. Passará a mão em meu rosto e se despedirá com um beijo. , Estarei feliz por saber que está comigo e de que tem força para seguir o seu caminho.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Banhos

 
Dei banho no Bruno, mas acho que foi ele quem me deu um banho. Dez a zero pro garoto. Como um ser tão pequenininho pode dar tanto baile num adulto? Num só, não. Em dois. A Angela também entrou na dança, embora não apanhe tanto quanto eu. Só sei que no final, parece que levei uma surra.

*

Depois que amamentou no peito, Angela foi dormir e deixou o Bruno comigo pra eu terminar as tarefas. Dar mamadeira, trocar, colocar pra dormir. Parecia simples. Parecia.

*

Bruno não queria mamar. Fez bico, careta, se contorceu, arrotou, soltou pum. Fez de tudo. Menos mamar. E o pai fica com o garoto pra lá e pra cá.


Hora de trocar. Primeira descoberta, a roupinha está molhada. Vamos trocar de roupa também, além da fralda. No final, nova descoberta. Os pés estão para trás! Meu filho parecia o Curupira! Então tá, vamos tirar o macacão e colocar do jeito certo... ô vida.


Fazer dormir, já que tava meio irritado. Relaxou e sujou a fralda de novo. E pelo barulhão, parecia ser muito. Esvaziou a barriga, veio a fome, mais mamadeira, o que sobrou e mais um pouco. Lá vou eu de novo, vamos trocar. Quase tudo pronto, descubro que o boddy debaixo está molhado. Pego um novo na gaveta, começo a tirar o sujo. Olho pro novo, coloquei em cima de um algodão molhado. Vamos de novo pra gaveta. O moleque chora. A mãe acorda. O garoto procura o peito. Mama de novo. 

*

Abandonei a mãe. Fui dormir. Boa noite.
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sábado, 26 de junho de 2010

Primeira troca: socorro!



Nesta semana troquei fralda pela primeira vez. Dá pra ver o desespero do Bruno com o desajeito do pai. Foi uma troca tranquila, eu é que não estava tranquilo. rsss Bruno não fez arte, mas chorou o tempo todo. Percebeu que minhas mãos não estavam muito firmes. Embora quando a mamãe Angela o troque ele também chore bastante. Agora que estou de férias vou poder exercitar bastante a troca de fraldas. Ah, e tb vou dar banho. Mas calma, uma emoção de cada vez!
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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Domingo no quarto


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De mamadeiras, banhos e resfriados

Sexta-feira foi um dia incrível. Na hora do almoço, quando voltei da Puc, a Angela foi ao médico e me deixou sozinho em casa com o Bruno. Mentira, a Sandra, que faz limpeza em casa, também estava aqui. Mas a responsabilidade pelo garoto ficou comigo.
Foi tudo muito bem até ele resolver mamar. Lá vou eu preparar a mamadeira. Até aí, quase tudo certo, a não ser o fato de que a água fervida não deu. Tive que ferver mais e depois esfriar de novo.
Daí, vamos para a parte mais difícil, dar a mamadeira pro garoto. Primeiro, um exagero. Parte do leite volta. Daí inclino menos. Daria tudo certo se o Bruno não resolvesse "segurar" a mamadeira com as duas mãos. Como ele é muuuuito grande, suas mãozinhas ficam dentro da roupa. Não enxerguei mais nada debaixo daquelas mangas. Foi no achômetro.
Se foi uma boa mamadeira, não sei, mas pelo menos Bruno não chorou. Mas também não dormiu. Ficou no meu colo, de olhos arregalados e depois começou a soluçar. Ah, que aflição, vê-lo tão pequenino dando pulinhos.

Mais tarde chegou a hora do banho, porém a Angela, já de volta, que foi resolver a parada. Fiquei apenas de auxiliar. O caos se instalou. A água parece que não esquentava, o ralo do banheiro tava fechado quando fui jogar fora a água fria, a mangueirinha do chuveiro soltou...
Apesar das dificuldades, foi muito gostoso participar desse momento. No sábado seria minha vez de dar banho. Mas acordei com um puta resfriado. Passei o final de semana todo sem poder tocar no Bruno. Fiz muitas fotos e a promessa de que logo vou pegá-lo, e muito!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Casa menor

Temos um novo morador aqui em casa. Bruninho deixou a maternidade hoje na hora do almoço e já começou a bagunçar nossa vida. Às 3h da tarde eu estava no Pão de Açúcar comprando Nan. Isso lá é hora de ir no mercado? Agora não tem hora para mais nada. Ainda bem que tem um mercado 24 horas razoavelmente perto de casa.
Mas Bruninho se comportou muito bem hoje. Dormiu bastante, mamou e recebeu carinhos, muitos, dos avós, dos tios e tias Sandra, André, Adriana e Hélio, além das primas Pamela, Gabi e Júlia.
De fato, comportou-se muito bem... Durante o dia. Agora a noite está mostrando que veio colocar nossa casa do avesso.
Tentei participar, mas me recolhi à cama. Amanhã trabalho muito cedo. Fica a Angela tomando conta do pimpolho. Não, não sou folgado, mas preciso de umas horas de sono para o batente de amanhã. Vamos ver por quanto tempo a Angela aguenta essa divisão de tarefas.
Hoje só sei que minha casa ficou menor, mas muito melhor.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O melhor gol que não vi

Não vi o primeiro gol do Brasil nesta copa de 2010. Fazia algo mais importante. Ou melhor, não fazia nada. Apenas o contemplava. Olhava você mamar no seio de sua mãe.
Após uma semana na UTI, era seu segundo dia na unidade intermediária. A primeira vez que mamou no peito foi na noite de segunda-feira. Infelizmente eu não estava por perto para ver. Estava trabalhando e a notícia chegou por um torpedo que sua mãe me mandou. Tive ímpeto de parar a apresentação dos alunos para anunciar que você havia mamado. Me contive.
Sofremos muito, sua mãe e eu, nesta sua primeira semana de vida cá fora. Nasceu tão lindo e chorão, mas seus pulmões, ainda frágeis, o fizeram passar uma angustiante temporada na UTI. No dia que o vimos na incubadora sem o capuz que concentrava o oxigênio na região de sua cabeça, choramos de alegria. Era o sinal de que você melhorava. Ontem, sua mãe o pegou no colo pela primeira vez depois de uma semana apenas olhando e acariciando seu pequenino corpinho. Emoção também muito forte. Graças a uma enfermeira legal, consegui registrar o momento com três fotinha rápidas, as primeiras desde que você fora para a UTI.
Mas como te disse no começo, não vi o primeiro gol do Brasil, mas vi você. Foi a minha maior conquista. Se o hexa vier, será bom, mas já me considero um campeão por ter você.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Choro

Bruninho tava chorando hoje. Tão bonitinho, pequenino e chorão. Estava eu na UTI, olhando pra ele, passando o dedo em seu peitinho e ele chorando. Depois veio o desespero. E aí? E quando estivermos sozinhos? O que vou fazer pra ele parar? Alguma fórmula? Sinto que não vai ser fácil esta experiência de pai de primeira viagem... Mas vai ser maravilhosa!