segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

A denúncia de João Zinclar


A garotinha tinha uns três ou quatro anos de idade – não sou bom nisso – e cabelos loiros. Olhos assustados, pés no chão e uma imensa barriga. Parece grávida, comentei. Mas deviam ser vermes.
Seria apenas mais uma cena comum em favelas e grotões deste rico e desigual Brasil. Porém a cena é também arte e denúncia social. O fotógrafo, João Zinclar, percorreu os 2.800 km do Rio São Francisco, da nascente na Serra da Canastra, em Minas Gerais, até a foz, na divisa de Sergipe com Alagoas.
Não se contentou com as possibilidades de lindas fotos das paisagens que o Velho Chico lhe oferecia. João Zinclar nos mostra os graves problemas ambientais que afetam a vida do rio. E a miséria instalada às suas margens, apesar de toda a riqueza que proporciona.
Lado a lado, uma família miserável e um poço de petróleo. Lado a lado não só na exposição, mas estão ali, próximos, sem que a riqueza do petróleo seja capaz de mudar a triste realidade daquela família.
Por quê? O que fazer? São perguntas que vêm à mente enquanto apreciamos o belíssimo trabalho de Zinclar. Ao sair, precisamos das respostas.

No site da revista Caros Amigos há um pequeno ensaio.

A exposição "O outro lado do rio São Francisco" completa fica até o final deste mês no MIS (Museu da Imagem e do Som) de Campinas, que fica no Palácio dos Azulejos (rua Regente Feijó, nº 859, esquina com a Ferreira Penteado, no Centro). A entrada é gratuita.

Nenhum comentário: