segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Minha mão alcança

Mais um post que pode ser lido com Um tiro só e Eu mato. A ordem você escolhe.

Minha mão alcança. Vou acabar com você. Ele só precisa se distrair. Uma bobeada sua e eu pego aquele pau e arrebento a sua cabeça. Tenho que ser rápido. Mas se errar, é você que me mata. Um pau é mais rápido que uma bala? Pode não ser, mas numa fração de segundo, tenho mais chances de te acertar antes que consiga puxar o gatilho. Você está cansado. E quando estiver distraído, calmo, não vai ter tempo de me pegar. Aí eu arrebento a sua cabeça e me mando. Mesmo que você não morra, não vai conseguir me pegar. É um imbecil. Pra que fazer isso? Quanto mais o tempo passa, mais a polícia se prepara, mais a situação fica pior. Será que você sabe que não tem saída? Ou se entrega, ou a polícia acaba com a sua raça? Mas é pior pra nós dois se a polícia invadir. É capaz de você ou eles mesmos me matarem. A polícia não pode fazer isso. Não pode arriscar me matar. Tem que esperar você arriar, entregar os pontos. Ou então esperar a hora que eu achar melhor. Minha mão alcança. Vou acabar com você. Eu sinto a sua respiração. Sinto o cano do revólver trêmulo na minha fronte. Era mais firme, agora está mais frouxo. Espero que a polícia não faça nenhuma besteira. Você não é de nada, mas no susto, é capaz de puxar o gatilho. É um medroso, um bosta. Até agora não deu um tiro. Não dá nem pra saber se tem bala nesse revólver. Se tivesse coragem, já tinha resolvido essa situação. Já tinha matado alguém e se mandado. Mas preferiu me pegar de refém, de medo de fugir. Agora estamos os dois aqui. Mas por pouco tempo. Minha mão alcança. Vou acabar com você. No começo até tive medo. Agora, não. Agora tenho nojo. É um bundão, um covarde. Eu é que vou decidir este negócio. Vou lhe fazer uma surpresa. Nem percebeu, mas andamos muito nestas horas. Trouxe você até aqui, onde minha mão alcança este pedaço de madeira. Quando bobear, eu pego o pau, viro de uma vez e estouro os seus miolos. Sua única alternativa, meu chapa, é se entregar. A polícia te leva pra uma cadeia e te mata devagar. Se continuar me segurando, vou acabar com você de repente. Um golpe só já te faz desmontar. Está vendo ali fora? A polícia está de prontidão. Tem um policial com uma arma apontada pra gente. Você não percebeu? Deve ser aqueles atiradores de elite. A essa distância, ele mata você com um tiro só e eu saio ileso. Mas não quero correr esse risco. Ninguém quer. Eu aqui posso decidir a parada. Ou espero a polícia te pegar, ou eu mesmo te arrebento. Nem mesmo Deus pode te ajudar agora. Ao contrário do que parece, é a sua vida que está em minhas mãos. Eu posso decidir se você morre pelas minhas mãos ou pelas mãos da polícia, que está lá fora, louca pra te fazer picadinho. Neste momento, nem Deus te salva. Você está em minhas mãos. Minha mão já alcança. Vou acabar com você.

Um comentário:

Anônimo disse...

o que eu estava procurando, obrigado