quarta-feira, 9 de junho de 2010

Seus dedos

Vi Bruno chegar e sair no mesmo dia, ontem, dia 7. A chegada, primeiro, foi uma só alegria. Vê-lo pela primeira vez, ainda roxinho, todo sujo e logo ouvir o choro é indescritível. Nem sei se a emoção foi tanta, me sentia tão anestesiado quanto a Angela que estava ali deitada dando a luz.
Depois, acompanhei à distância a incubadora que era levada do berçário ao elevador. Parei na metade do caminho, olhando aquele carrinho enquanto o medo invadia meu coração. Bruno, tão pequenino e frágil, foi para a UTI e eu fiquei ali, no saguão da maternidade, sem a pessoa que vira há menos de quatro horas pela primeira vez e que já era a mais importante de minha vida.
Pude vê-lo algumas vezes na UTI, tocar sua pele tão lisa e macia, ouvir sua respiração, tão frágil, tão necessitada de cuidados.
Hoje à noite, eu e Angela víamos Bruno mais uma vez e conversávamos baixinho com ele, que se mexeu. Coloquei meu dedo em sua mão. Ele o agarrou. Era pele com pele. A pequenina força de seus dedos foi a maior que já senti até hoje. Uma força pela vida. Meu dedo apertado pelos seus. Mais que isso. Também meus olhos estavam apertados. E meu coração.
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2 comentários:

Nayara C'Oliveira - Naná disse...

Imagino que ele deve ter sentido que aquele no qual tocava era o seu grande admirador e papai.

Que ele seja tão amado quanto você Wander. E isso significa que será muito.

Abraços

Selma disse...

Não sei o que é mais lindo... a foto ou o texto. Apertou meu coração também!

abraços, amigos